Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2026 | Redação Rio de Janeiro

Infográfico IBAMA atualizado em 06 de janeiro, publicado pelo G1
O Vazamento e Suas Circunstâncias
A exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas revelou-se um risco iminente, culminando em um incidente grave na madrugada do último domingo, dia 4. Durante a perfuração do poço FZA-M-59, conhecido como “Morpho”, a Petrobras detectou um vazamento de fluido. Este acidente ocorreu pouco mais de dois meses após a estatal obter uma licença controversa para operar na região, aprovada apesar da forte oposição de órgãos técnicos, movimentos indígenas e quilombolas.
Detalhes Técnicos do Vazamento
O vazamento foi identificado por meio de um Veículo Operado Remotamente (ROV) a cerca de 2.700 metros de profundidade. Relatórios internos apontam que a causa foi uma falha de conexão entre juntas em duas linhas auxiliares, responsáveis por ligar a sonda ao poço submarino.
Estima-se que entre 14 e 15 mil metros cúbicos de fluido de perfuração tenham sido despejados no oceano. Embora classificado pela Petrobras como biodegradável e de baixa toxicidade, documentos da própria empresa reconhecem o potencial do material para causar danos ao ecossistema marinho e à saúde humana.
Oposição e Críticas à Licença Ambiental
Diversos movimentos sociais, como a CSP-Conlutas, além de indígenas, quilombolas e populações tradicionais e ribeirinhas, já haviam alertado para a possibilidade de tragédia. A liberação apressada da licença pelo Ibama contrariou estudos que apontavam para impactos ambientais significativos. No entanto, sob pressão política de especuladores e do governo federal, que minimizou as preocupações técnicas, a autorização foi concedida.

Ainda que não tenha vazado petróleo. Ou que a quantidade não seja grande. Por si só o desastre ambiental é grave pelo seus significado simbólico, institucional e estrutural. | Imagem de IA.
Risco Ambiental e Fragilidade das Promessas
O vazamento põe em xeque o discurso de “risco zero” defendido tanto pela presidência da Petrobras quanto pelo governo brasileiro. Isso evidencia a fragilidade das promessas ambientais feitas e expõe a prioridade dada ao lucro e à distribuição de dividendos para acionistas estrangeiros, em detrimento da preservação do ecossistema amazónico, como denunciado em fóruns nacionais e internacionais.
Complexidade Biológica e Impactos Locais
Especialistas destacam que a área atingida possui elevada complexidade biológica, com recifes ainda pouco estudados e corredores migratórios de espécies ameaçadas. O acidente também impacta profundamente as comunidades locais, dependentes desse ecossistema para sua subsistência.
Histórico de Riscos e Desafios Técnicos
A exploração de petróleo na região é marcada por episódios de falhas e desafios técnicos. Em 2011, por exemplo, uma sonda da Petrobras foi arrastada por fortes correntes marítimas, evidenciando as dificuldades logísticas enfrentadas.
Contestação Judicial e Expansão dos Projetos
O projeto enfrenta atualmente forte oposição na Justiça Federal do Pará, com organizações da sociedade civil alegando que o licenciamento ambiental ignorou o direito de consulta das comunidades indígenas, quilombolas e colónias de pescadores. Apesar da disputa judicial, a Petrobras planeja abrir novos poços na região.
Privatização, Terceirização e Reivindicações Trabalhistas
A situação é agravada pelo avanço da privatização e terceirização da Petrobras, denunciados pelos trabalhadores durante uma recente greve motivada pela defasagem salarial e perda de direitos. Esse contexto levanta preocupações sobre o que ainda está por vir na exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
O fato indica ainda que o governo ou a direção da Petrobrás entregue aos capitalista não é confiável. Mais do que nunca é necessário uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. Só assim a empresa cumprirá suas tarefas de converter as riquezas naturais em melhores condições de vida para a classe trabalhadora.
Tal objetivo só será alcançado com o fim da exploração e opressão capitalista. É necessário a construção da sociedade socialista.

