CSP CONLUTAS RIO

Unificar as lutas, salariais e populares

Chega de guerras: unir o povo trabalhador no 1º de maio

Rio de Janeiro, 04 de abril de 2026. hora: 14:15 h

Da escalada militar à reorganização social e política internacional

Trabalhadores e povo ocupam as ruas nos EUA contra a guerra e carestia. Imagem BBC

Uma guerra não dclarada: Estados Unidos e Israel contra o Irã e o islamismo

Na tarde de 3 de abril de 2026, o Irã afirmou ter abatido uma aeronave A-10 dos Estados Unidos nas proximidades do Estreito de Ormuz. Este episódio agravou ainda mais as tensões na região, refletindo uma dinâmica de ataques e retaliações entre as partes envolvidas.

Após a destruição de uma ponte no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, declarou que continuaria a ordenar ataques a infraestruturas civis e centrais elétricas, ignorando advertências de que tais ações poderiam ser consideradas crimes de guerra. Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, interpretou essas declarações como uma confissão de intenção de perpetrar “mais crimes de guerra em grande escala”.

O Kuwait relatou ataques a uma refinaria de petróleo e a uma usina de dessalinização por parte do Irã, enquanto as nações do Golfo enfrentam novas ofensivas. Teerã negou envolvimento no ataque à usina de dessalinização, mesmo enquanto disparava mísseis contra Israel.

Desde 28 de fevereiro, ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel ao Irã resultaram em milhares de mortes de militares e civis, evidenciando a gravidade da situação humanitária e militar no país.

Impactos Econômicos e Políticos da Guerra

Em pronunciamento à nação, Trump intensificou ameaças aos trabalhadores e ao povo iraniano, o que provocou uma reação imediata da elite proprietária e especuladora em vários países, com o aumento do preço do barril de petróleo e de insumos agrícolas. Esse movimento favorece setores das classes dominantes que acreditam lucrar ainda mais com a continuidade da guerra, uma agressão que nunca ameaçou a segurança dos EUA diretamente.

Repercussões sobre a OTAN e o Capitalismo Ocidental

Do ponto de vista militar, o Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sempre foi um acordo político-militar criado para destruir a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Essa origem já carregava uma contradição: países ocidentais conspirando para destruir um aliado que foi fundamental na derrota do nazismo. A decadência da OTAN se acelerou devido à crise econômica, política e social do capitalismo, intensificada pelos atos de Trump, que humilha e desdenha de seus aliados. Este contexto contribui para o apodrecimento interno da organização e para o agravamento da crise de distribuição da riqueza socialmente produzida.

Transformações em Israel e o Papel de Washington

Anos de guerra provocaram mudanças profundas na política, economia e sociedade de Israel. Dois anos e meio de ataques brutais contra países vizinhos e o genocídio em Gaza transformaram significativamente o país. Enquanto Israel enfrenta uma “batalha existencial” contra o Irã, o futuro do Estado permanece incerto, dependendo das decisões tomadas em Washington.

Mesmo antes do conflito com o Irã, a ofensiva israelense em Gaza já havia afetado a reputação internacional do país e seu financiamento. Segundo o Banco de Israel, as guerras recentes custaram cerca de 352 bilhões de shekels (US$ 112 bilhões), representando um gasto diário de cerca de 300 milhões de shekels (US$ 96 milhões).

Consequências Internas nos Estados Unidos

A análise da pós-doutora Priscila Caneparo, publicada na CNN (3), destaca que o cenário interno dos Estados Unidos está profundamente influenciado pelos desdobramentos externos, como a guerra no Irã, e pelas estratégias discursivas de Trump para manter sua base de apoio. Nos últimos dias de março, cerca de nove milhões de trabalhadores e cidadãos protestaram em mais de 30 estados contra Trump e a guerra, criando um ambiente de incerteza que pode impactar as próximas eleições e a estabilidade do governo.

Alianças e Resistência: Irã, Hezbollah e Houthis

Apesar do elevado custo humano, o povo iraniano, aliado ao Hezbollah e aos Houthis, está impondo uma derrota militar aos Estados Unidos. Israel, por sua vez, vê seu futuro como nação cada vez mais comprometido no contexto do conflito no Oeste da Ásia.

Manifestação “No Kings” em 28 de março. Imagem BBC

Mobilização Popular e Sindical nos Estados Unidos

A mobilização de “Sem Reis” em 28 de março foi um forte protesto contra a guerra e as políticas autoritárias de Trump, sendo a maior manifestação de rua em um único dia nos EUA. Milhões se uniram contra a guerra, a repressão do ICE em Minneapolis e a corrupção, racismo e outras questões atribuídas ao governo Trump. O movimento também organizou protestos em pelo menos 15 países, com destaque para Londres, Roma e Paris, e teve participação crescente de áreas rurais norte-americanas.

Políticos democratas participaram das manifestações, que agora focam nas eleições de meio de mandato para apoiar candidatos do Partido Democrata, embora o sistema eleitoral favoreça grandes partidos e doadores ricos. O apoio a políticos democratas limita o alcance das reivindicações, pois o partido defende os interesses da classe capitalista e rejeita demandas que perturbem o capitalismo, aceitando apenas reformas menores sob pressão de movimentos de massa ou da classe trabalhadora mobilizada.

Sindicatos como AFL-CIO, Associação Nacional de Educação, SEIU e outros denunciaram a repressão de Trump e convocaram ações, mas poucos organizaram seus membros para participar das marchas, com sindicatos industriais ignorando o movimento nacionalmente. A falta de mobilização sindical limita o poder da classe trabalhadora contra políticas reacionárias.

Organização e Planejamento das Mobilizações

A coalizão Sem Reis incentiva a mobilização para o May Day Strong (1º de maio), com ações nacionais como “Nem trabalho, nem escola, nem compras”. Vários sindicatos importantes apoiam a iniciativa, inspirada em protestos anteriores contra o ICE e paralisações de imigrantes, enfatizando slogans contra o ICE, a guerra, o poder corporativo e a favor dos direitos dos trabalhadores.

Organizadores buscam formar alianças com grupos locais, mas a liderança nacional da Aliança Sem Reis é vista como pouco transparente e centralizadora. A organização democrática e a construção de coalizões amplas, com participação efetiva de todos, são essenciais para fortalecer as mobilizações e garantir que objetivos e reivindicações sejam decididos coletivamente.

Ao preparar o May Day Strong e as ações subsequentes, os ativistas reconhecem que o impacto das mobilizações em massa é, em parte, criado durante o planejamento. Esse momento é fundamental para a formação de coalizões, onde alianças podem ser estabelecidas e questões essenciais discutidas e decididas democraticamente. As coalizões devem abranger uma diversidade de grupos, sindicatos e comunidades, promovendo assembleias e reuniões que assegurem a expressão de opiniões e votação das deliberações coletivas.

Todos às ruas no Primeiro de Maio!

Às ruas em todos os cantos do mundo!

Viva o dia Internacional de luta dos trabalhadores!

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