Rio de Janeiro, 15 de abril de 2026. Redação às 23:00 horas

Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. — Foto: Reuters
EUA e Israel pretendiam derrotar o Irã e abrir a circulação do Estreito de Ormuz que nunca esteve totalmente bloqueado
O Estreito de Ormuz e o Contexto Geopolítico
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável por grande parte do fluxo global de petróleo. O fechamento desse estreito pelos Estados Unidos traz em si uma contradição: são justamente os aliados dos EUA que mais sofrem com embargo de mercadorias e energia.
Essa medida seria vista como um ato de força e poderia desencadear tensões diplomáticas, além de possíveis confrontos militares na região do Golfo Pérsico. Países exportadores e importadores de petróleo seriam obrigados a buscar alternativas logísticas, enquanto a comunidade internacional pressionaria por negociações e soluções pacíficas para evitar um agravamento do conflito. Um conflito ilegal promovido por duas nações contra o Irã. Uma nação sancionada pelos países do ocidente nos últimos 47 anos.
Consequências na Segurança e nos Mercados
O fechamento de Ormuz pelos EUA também impactaria a segurança marítima, aumentando o risco de ataques a navios e sabotagens, além de gerar incertezas nos mercados financeiros. A atuação dos Estados Unidos nesse contexto refletiria interesses conflitantes com sua posição hegemónica mundial, mas também exigiria um equilíbrio delicado entre segurança, diplomacia e estabilidade econômica global.
Um erro histórico na avaliação da correlação de forças
No dia 28 de fevereiro os EUA e Israel atacaram o Irã assassinando o líder supremo do clero islâmico xiita, Ali Khamenei. Assassinaram os principais líderes políticos e militares da República Revolucionária do Irã. Também como um toque de crueldade desse ataque de uma guerra não declarada: os projeteis despejados dos aviões ianques e israelense assassinaram 164 meninas iranianas de 07 a 11 anos dentro de uma escola de ensino fundamental, em Teerã. Assim o 1º dia de março nasceu com o Irã fechando o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária da República do Irã bombardeou os países produtores de petróleo na margem ocidental de Ormuz.

Armada estadunidense fora do alcance dos bombardeios do Irã. Imagem Reuters
Destruição e Colapso Econômico
Mais de quarentas dias da guerra assimétrica de duas potências nucleares contra uma nação isolada os resultados já são terríveis. Milhares de militares e civis iranianos mortos. Destruição de infraestruturas como linhas férreas, estradas de rodagem, hospitais, escolas, universidades e monumentos histórico de uma civilização de mais de 04 mil anos. Para o ocidente um colapso no comércio de commodities, insumos petroquímicos e fertilizantes. Os prejuízos afetam diretamente a cadeia de suprimentos global, com a redução de cerca de 25% do petróleo exportado no mundo e de um terço dos fertilizantes, o que a ONU alerta pode desencadear uma crise alimentar global e comprometer colheitas futuras. Países como China, Índia e Japão, altamente dependentes das importações da rota, enfrentam risco de estrangulamento industrial e escassez de insumos.
Impacto em Commodities e Logística Global
Além do petróleo, a guerra impacta a exportação de gás hélio, petroquímicos e medicamentos, elevando custos de tecnologias como semicondutores e equipamentos médicos. A BRS Tanker relata escassez de combustíveis marítimos na Ásia e aumento exponencial dos prêmios de seguro de guerra, tornando a travessia proibitivamente cara e forçando desvios logísticos que encarecem o frete marítimo.
Estratégias do Irã e Consequências Econômicas
A Guarda Revolucionária da República do Irã garante que a exportação do petróleo aumentou. 40% segue para a China e ainda exporta para a Índia, Singapura, Malásia e Coreia do Sul. Tem mantido um pedágio de dois milhões de dólares por embarcação que são pagos em Yuan Chinês, enquanto mantém um embargo parcial do estreito. Navegam os cargueiros dos países aliados e também os não hostis ao Irã.
Consequências no Mercado Internacional
A principal consequência do bloqueio militar dos EUA nestes dias, provoca impactos econômicos globais severos, elevando ainda mais o preço do petróleo para mais de 100 dólares por barril e gerando inflação em setores como energia, alimentos e combustíveis.
Limitações do Bloqueio Militar
Contudo esse efeito é artificial já que marinha estadunidense não pode se aproximar do Golfo Pérsico e atravessar o Estreito de Ormuz. Qualquer aproximação das naves militares ianques sofrerá ataques do Irã. Para que haja um cerco marítimo militar é necessário que a força estadunidense esteja presente nas águas do Golfo Pérsico. Tal fato tem sido omitido pela imprensa empresarial ocidental.
Características Geográficas do Golfo Pérsico
O Golfo Pérsico é um braço de mar do oceano índico. Nele estão localizados os litorais do Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã, ocupando uma área de 240.000 km² (equivalente ao estado de São Paulo). Esse corpo de oceano se conecta com o Golfo de Omã, (que por sua vez se liga ao Mar Arábico) através do Estreito de Ormuz, e possui uma profundidade média de 50 metros, sendo a profundidade máxima de 90 metros. Sua extensão é de cerca de 990 km de comprimento e a largura máxima é de 370 km. Para o sul, a linha de costa é plana, enquanto a costa do lado iraniano é montanhosa.

Iranianos protestam em Teerã durante funeral de membros da Guarda Revolucionária – Imagem Reuters
Soberania e Reações do Irã
Enquanto o bloqueio de Trump não funciona como ocorreu nas águas da América Central, próxima a Venezuela a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada de forma severa e decisiva. O que está claro até agora é que o Irã não sofre um cerco marítimo e mantem sua soberania territorial.
Contradições das Ameaças de Bloqueio
E essa é a contradição das ameaças de Trump em relação ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Se as forças militares sionistas levassem o bloqueio as últimas consequências o valor do barril de petróleo chegaria a 200 dólares causando a recessão mundial.
