Rio de Janeiro, 18 de abril de 2026. Redação RJ às 13:20 horas
Análise dos erros estratégicos de Washington e suas consequências
A guerra contra Irã não se desenrolou conforme as expectativas de Washington. Erros graves, desde interpretações equivocadas da estratégia iraniana até à subestimação das capacidades de uma nação sancionada há 47 anos, foram determinantes para esse desfecho.

Os vídeos virais de criadores iranianos são de alta qualidade, embora baratos, e atacam fissuras na política dos EUA enquanto mobilizam o público mundial contra a longa história de guerras e abusos globais dos Estados Unidos. [Cortesia da mídia social Explosive Media]
Redefinição do Conflito e Expectativas Divergentes
Após a guerra de 12 dias, em 2025, contra o Irã, o cenário não caminhou para uma redução de tensões, mas sim para uma expansão do conflito. A tática de uma negociação para conquistar o ataque surpresa contra o país persa aprofundou a diferença de expectativas. A Casa Branca, baseada em uma avaliação otimista, decidiu por um conflito limitado, esperando forçar uma capitulação rápida do Irã. No entanto, o real teatro de guerra rapidamente mostrou que essa suposição estava completamente errada. O conflito se transformou em uma guerra de desgaste de quase dois meses, que não apenas falhou em alcançar os objetivos militares, mas também aprofundou a crise econômica, política e social do mundo.
Generalização Incorreta da Experiência da Guerra de 12 Dias
A Casa Branca acreditou que o padrão de comportamento do Irã observado na curta guerra com Israel se repetiria, ignorando o maior envolvimento direto dos EUA. Naquele momento o Irã, ajustou uma resposta militar modesta tentando evitar a guerra e um crescimento do conflito que lhe foi imposto. Mas em fevereiro de 2026 houve a reicindência de uma agressão militar completamente por fora do direito internacioal e dos tratados vigentes desde a II Grande Guerra. Agora a resposta foi contundente de ataque as bases militares estadunidense no Golfo Pérsico, especialmente utilizando o Estreito de Ormuz como arma em uma guerra assimétrica. Relatórios internos alertaram sobre os riscos de fechar os estreitos de Ormuz e Babelmândebe, mas essa avaliação foi ignorada. O Estreito de Ormuz acabou sendo um fator decisivo, impactando os cálculos econômicos e militares do sionismo anglo-israelita.
As Superpotências Nucleares Negligenciaram a Mudança Estratégica do Irã
Os EUA presumiram que Israel seria o principal alvo iraniano, mas Teerã direcionou suas ações às bases estadunidenses na região. As bases ianques como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Jordânia passaram a ser alvos legítimos diretos em uma guerra não declarada e de agressão.
Washington desconsiderou que o Irã se preparaou para essa guerra nos últimos 20 anos, mesmo tentando evitá-la ao máximo. Desde o fim da guerra do Iraque os avanços iranianos em tecnologia de mísseis, precisão operacional e sistemas de defesa aérea foram desenvolvidos para enfrentar esse momento. Não se esperava que as defesas do Irã derrubassem caças americanos ou que seus mísseis desativassem radares avançados nas bases do Golfo. No teatro da guerra, o Irã demonstrou evolução real, impondo altos custos à força agressora e desafiando sua superioridade aérea.
Previsões Erradas Sobre Reação Do Povo Iraniano A Agressão Estrangeira
Washington acreditava que a guerra desencadearia instabilidade social e política interna com um suposto colapso do regime iraniano. Relatórios de inteligência do “infalível” Mossad convenceram Trump de que protestos e assassinatos indiscriminado enfraqueceriam o país. Contudo, o estado de guerra levou à coesão social e fortaleceu o espírito de resistência iraniano, impulsionado por fatores civilizacionais e identidade histórica. Washington confundiu uma “batalha por direitos democráticos” com “protestos políticos” a partir de uma influência estrangeira.

Ansar Allah no Iêmen se reúnem em torno de uma bandeira libanesa durante uma manifestação em Sanaa para demonstrar solidariedade com o Líbano [Khaled Abdullah/Reuters]
Subestimou Coesão do Eixo de Resistência
Os EUA esperavam um papel marginal dos grupos alinhados ao Irã, mas sua coordenação operacional aumentou diante da covardia de uma agressão no ceio de uma suposta negociação. O “eixo de resistência” formou uma frente unificada contra os EUA, enquanto os países do Tratado do Atântico Norte se recusaram a fornecer apoio a uma deliberada agressão militar, evidenciando fragilidades e diferenças políticas com a coalisão anglo-sionista. Essas diferenças se cristalizaram após o genocídio em Gaza patrocinada por esta mesma coalisão
Crescente Pressão Interna e Internacional
A extenção no tempo da guerra gerou oposição de massas dentro dos EUA, desde críticas midiáticas até protestos de direitos humanos, especialmente após a tragédia da escola Minab. Isso corroeu a legitimidade moral da operação na opinião pública global e americana. O sangue das mais de 165 meninas iranianas assassinadas, com idade entre 07 e 11 anos, escorreu pelo rosto da hipocrisia das superpotências ocidentais.
Além disso, a expansão do conflito elevou os preços do petróleo acima de 120 dólares, com análises indicando a possibilidade de chegar a 200 doláres o barril, pressionando economicamente as famílias estadunidenses. No cenário internacional, o veto russo e chinês à resolução do Bahrein apresentada no Conselho de Segurança da ONU e as posições independentes de aliados ocidentais aumentaram o custo político da guerra para Washington. Além disso a manutenção da guerra abre a possibilidade de uma severa recessão na ecnômia mundial.

A UNICEF suspendeu suas atividades no ponto de abastecimento de água de Mansoura após dois de seus motoristas serem mortos por forças israelenses [Arquivo: Mahmoud Issa/Reuters]
Fraturas nas Estruturas de Tomada de Decisão Militar dos EUA
As divergências de comando se agravaram, levando à demissão de oficiais generais, incluindo o chefe do Estado-Maior do Exército. Esse terremoto administrativo reflete um impasse na doutrina militar impedindo uma saída exitosa. Para a solução do impasse não só militar, mas ecônomico e político a capitulação da coalisão anglo-sionista se impõe com cada vez mais força. Permitir a sobrevida da guerra vai impor a derrota de forma mais catastrófica.
Em conjunto a substimação sobre o comportamento e evolução estratégica da reação do Irã a uma guerra assimétrica colocaram os EUA numa posição em que aceitar os termos da vitória estratégica dos iranianos para iniciar negociações tornou-se a única opção viável.
No final, a guerra de agressão jamais deveria ocorrer. As negociações em curso naqueles dias de fevereiro teriam deixado adormecido os fatores que trouxe a Casa Branca até aqui. Essa experiência certamente será revisitada, estudada e debatidda. Na verdade ela marca a decadência do imperialismo colonial estadunidense.
